|
Texto: Marcelo JB Resende e Lana Sassaki
Foto: Marcelo JB Resende
Reprodução não autorizada
Nem tudo foi sofrimento para aqueles que desbravaram
Minas em busca de ouro e pedras preciosas. Havia também momentos
de pura admiração, quando a ânsia e a ganância davam lugar ao simples
deleite de ver, de sentir. A imagem da serra de Ouro Branco, majestosa,
certamente tornou mais amena a vida daqueles homens. Um verdadeiro
monumento natural à contemplação. |
|
Ouro Branco nasceu no caminho do ouro e foi uma
de suas fronteiras. A primeira mina das Minas Gerais foi encontrada
em Itaverava, uma cidade próxima. Não demorou para que os
aventureiros percebessem que toda a região era um grande depósito
aurífero, que se estendia até os fabulosos veios de Ouro Preto
e Mariana. Estava nos leitos dos rios, na beira do caminho,
aos olhos de todos. Ouro Branco era um desses lugares.
O metal precioso parece ter acabado, restando as
histórias e uma natureza privilegiada. Mesmo assim ainda persistem
muitos boatos: uma das pontas da serra, no distrito ouro-pretano
de Miguel Burnier, concentra incríveis reservas de ouro. Tudo
leva a crer que o segredo é muito bem guardado, o que aumenta
as suspeitas. Afora as lendas, resta a presença onipotente
da natureza: verdadeiro tesouro para o turismo.
Do alto da serra é possível avistar Ouro Branco,
as cidades de Conselheiro Lafaiete e Congonhas e a Barragem
do Soledade. Na serra de Ouro Branco nasce a cadeia de montanhas
denominada Espinhaço. Tudo em meio a um cenário que oculta
corredeiras, cachoeiras e esplêndidos mirantes. Ainda na serra,
seguindo em direção a Ouro Preto, está o distrito de Itatiaia.
O arraial contém importantes construções remanescentes do
séc. XVIII, sobressaindo por entre as montanhas. No distrito
está localizada a igreja de Santo Antônio do Itatiaia, tombada
pelo Patrimônio Histórico Nacional.
|
|



|
Turismo é a palavra de ordem e traduz a grande vocação
de Ouro Branco. Suas belas paisagens proporcionam uma entrada gloriosa
no Circuito do Ouro, do qual a cidade faz parte. A Estrada Real,
hoje asfaltada, carrega consigo anos e mais anos de histórias. A
serra de repente aparece e se impõe não como um desafio. Já o foi
em épocas passadas. Hoje é apenas a fronteira de um mundo diferente,
cuja narrativa foi escrita com ouro, suor e pedras preciosas. Quem
viaja por estes caminhos exercita mais que o prazer da descoberta;
passa a escrever e se torna parte da história das Minas Gerais.
Inesquecível!
|